As inovações tecnológicas são bem vindas, mas não podem ser impostas aos consumidores!
Supermercados, conveniências, farmácias, bancos... empresas de diversos segmentos têm forçado seus clientes a utilizarem o autoatendimento. Infelizmente, uma prática cada vez mais comum.
No vídeo "Burrão no Aeroporto", o ator Maurício de Barros satiriza esse tema a partir do exemplo do atendimento das companhias aéreas. Numa fila para despacho de bagagens, o personagem Fernando Burrão se vê constrangido pelas dificuldades de usar o "totem" para se autoatender, sendo inclusive humilhado pela funcionária da companhia aérea destacada para prestar informações.
Mantendo o bom humor, o personagem alerta que a própria funcionária da companhia pode se ver prejudicada por essa imposição, uma vez que retirar dos consumidores a opção de serem atendidos por outros seres humanos implica logicamente na eliminação de postos de trabalho.
Burrão cita de forma certeira como esse processo já é conhecido pela categoria bancária, em que o trabalhador é impedido por restrições administrativas ou mesmo pressionado a se recusar a realizar tarefas que ainda são previstas em sua função, limitando a escolha dos clientes ao uso do autoatendimento.
A funcionária da companhia aérea havia lhe dito que não temia uma demissão, por ter confiança na própria formação e em seu futuro na empresa. Burrão respondeu:
"O pessoal da agência bancária do lado de casa também tinha. Mas eles faziam tanta pressão pra gente usar a máquina que a gente acabou usando, agora não tem mais caixa nenhum na agência. Quer dizer, hoje em dia tá assim, o cliente é o funcionário do banco e ainda tem que pagar a tarifa lá em cima".O diálogo segue com reiteradas negativas da funcionária da companhia aérea em resolver o problema do Burrão, que com vários argumentos tenta deixar claro que não consegue utilizar o "totem".
O desfecho do vídeo é uma verdadeira demonstração de solidariedade aos trabalhadores afetados por esse processo.
A funcionária da companhia aérea recebe uma ligação de sua "gerente digital", que lhe parabeniza pelo cumprimento da meta de clientes autoatendidos, dando no mesmo ato o comunicado de sua demissão.
Vendo ela arrasada, Burrão sugere à trabalhadora que posteriormente lhe procure com um currículo, pois ele contratará a moça em sua empresa, que também atuará com transporte aéreo:
"A gente vai tentar o atendimento humano com o atendimento eletrônico e transformar isso num custo-benefício real pro passageiro. (...) a senhora vai funcionar certinho como exemplo de que o culpado de toda essa confusão não sou eu, e nem você, porque estamos juntos nessa estrada."O vídeo "Burrão no Aeroporto" traz uma denúncia pertinente, num momento em que os bancos brasileiros aceleram o encerramento de agências e em que o Banco do Brasil implementa meta de redução do recebimento de depósitos em espécie nos guichês.
É dos clientes a escolha do canal de atendimento, por normas do Banco Central e do Sistema de Autorregulação Bancária. Mas os clientes não têm realmente essa escolha quando o acesso aos canais é drasticamente reduzido ou eliminado pelas empresas.
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