3 de fevereiro de 2026

Sátira do Burrão denuncia a digitalização forçada e cita diretamente os caixas de banco

As inovações tecnológicas são bem vindas, mas não podem ser impostas aos consumidores!


Supermercados, conveniências, farmácias, bancos... empresas de diversos segmentos têm forçado seus clientes a utilizarem o autoatendimento. Infelizmente, uma prática cada vez mais comum.

No vídeo "Burrão no Aeroporto", o ator Maurício de Barros satiriza esse tema a partir do exemplo do atendimento das companhias aéreas. Numa fila para despacho de bagagens, o personagem Fernando Burrão se vê constrangido pelas dificuldades de usar o "totem" para se autoatender, sendo inclusive humilhado pela funcionária da companhia aérea destacada para prestar informações.

Mantendo o bom humor, o personagem alerta que a própria funcionária da companhia pode se ver prejudicada por essa imposição, uma vez que retirar dos consumidores a opção de serem atendidos por outros seres humanos implica logicamente na eliminação de postos de trabalho.

Burrão cita de forma certeira como esse processo já é conhecido pela categoria bancária, em que o trabalhador é impedido por restrições administrativas ou mesmo pressionado a se recusar a realizar tarefas que ainda são previstas em sua função, limitando a escolha dos clientes ao uso do autoatendimento.

A funcionária da companhia aérea havia lhe dito que não temia uma demissão, por ter confiança na própria formação e em seu futuro na empresa. Burrão respondeu:
"O pessoal da agência bancária do lado de casa também tinha. Mas eles faziam tanta pressão pra gente usar a máquina que a gente acabou usando, agora não tem mais caixa nenhum na agência. Quer dizer, hoje em dia tá assim, o cliente é o funcionário do banco e ainda tem que pagar a tarifa lá em cima".
O diálogo segue com reiteradas negativas da funcionária da companhia aérea em resolver o problema do Burrão, que com vários argumentos tenta deixar claro que não consegue utilizar o "totem".

O desfecho do vídeo é uma verdadeira demonstração de solidariedade aos trabalhadores afetados por esse processo.

A funcionária da companhia aérea recebe uma ligação de sua "gerente digital", que lhe parabeniza pelo cumprimento da meta de clientes autoatendidos, dando no mesmo ato o comunicado de sua demissão.

Vendo ela arrasada, Burrão sugere à trabalhadora que posteriormente lhe procure com um currículo, pois ele contratará a moça em sua empresa, que também atuará com transporte aéreo:
"A gente vai tentar o atendimento humano com o atendimento eletrônico e transformar isso num custo-benefício real pro passageiro. (...) a senhora vai funcionar certinho como exemplo de que o culpado de toda essa confusão não sou eu, e nem você, porque estamos juntos nessa estrada."
O vídeo "Burrão no Aeroporto" traz uma denúncia pertinente, num momento em que os bancos brasileiros aceleram o encerramento de agências e em que o Banco do Brasil implementa meta de redução do recebimento de depósitos em espécie nos guichês.

É dos clientes a escolha do canal de atendimento, por normas do Banco Central e do Sistema de Autorregulação Bancária. Mas os clientes não têm realmente essa escolha quando o acesso aos canais é drasticamente reduzido ou eliminado pelas empresas.

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